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Impermeabilização com manta asfáltica a fogo: como fizemos no Condomínio Palácio

Veja como funciona a impermeabilização com manta asfáltica a fogo, o teste de estanqueidade exigido por norma e o case do Condomínio Palácio em Porto Alegre.

· Engº Pedro J. Castilho, CREA-RS 240023, e Engº Nereu Brocker Junior, CREA-RS 240470

A impermeabilização com manta asfáltica aplicada a fogo é uma das soluções mais duráveis para lajes, terraços e coberturas de garagem que estão deixando a água passar. Quando feita dentro das normas, ela protege a estrutura por muitos anos.

Infiltração não é só mancha e goteira. A água que atravessa a laje chega às armaduras de aço, provoca corrosão e, com o tempo, compromete a segurança estrutural do prédio.

O que é a manta asfáltica aplicada a fogo

A manta asfáltica é uma lâmina pré-fabricada de asfalto modificado com polímeros, reforçada internamente com poliéster ou véu de vidro. Ela chega à obra em rolos e é colada à laje com o calor de um maçarico, que derrete a face inferior da manta e a funde ao substrato.

As emendas entre as faixas também são soldadas a fogo, formando uma camada contínua, sem juntas por onde a água possa passar.

Onde é indicada:

  • Lajes de cobertura e terraços
  • Coberturas de garagem e subsolos, com trânsito por cima
  • Floreiras, jardineiras e áreas com terra
  • Calhas de concreto e marquises

A especificação da manta segue a ABNT NBR 9952. Em áreas com trânsito de pessoas ou veículos, ela sempre recebe uma proteção mecânica por cima, como contrapiso ou piso.

Case: Condomínio Palácio, Centro de Porto Alegre

No Condomínio Palácio, a infiltração pela laje da área externa já tinha atingido a estrutura do subsolo. Durante as inspeções nas instalações do edifício, identificamos diversos pontos críticos que comprometiam a eficiência do sistema de impermeabilização existente.

Além das infiltrações no subsolo, encontramos locais com armaduras expostas e sinais de corrosão, indicando potencial comprometimento estrutural. Essas condições representavam risco à integridade da estrutura e exigiam intervenção corretiva imediata.

Teto do subsolo com concreto desplacado e armaduras de aço expostas e corroídas
Diagnóstico. A água que atravessava a laje da área externa chegou às armaduras e provocou corrosão. Ao oxidar, o aço aumenta de volume e rompe o concreto de cobrimento, deixando as barras expostas.

A solução definida foi remover o sistema antigo e executar uma nova impermeabilização com manta asfáltica aplicada a fogo em toda a área externa sobre o subsolo.

Etapas da execução

Uma impermeabilização durável depende mais da preparação do que da manta em si. No Condomínio Palácio, seguimos esta sequência:

  1. Remoção do sistema antigo: retirada do piso, da proteção mecânica e da impermeabilização deteriorada até chegar à laje.
  2. Recuperação estrutural: no subsolo, remoção do concreto solto, limpeza das armaduras corroídas, aplicação de proteção anticorrosiva e reconstituição com argamassa estrutural.
  3. Regularização da base: argamassa com caimento para os ralos e cantos arredondados (meia-cana), para a manta não dobrar em ângulo vivo.
  4. Imprimação: aplicação de primer asfáltico, que garante a aderência da manta ao concreto.
  5. Aplicação da manta a fogo: faixas coladas com maçarico, com sobreposição mínima de 10 cm nas emendas.
  6. Detalhes críticos: reforço em ralos, pilares, soleiras e tubulações, e subida da manta nas paredes em forma de rodapé.
  7. Teste de estanqueidade: lâmina d’água sobre toda a área antes de cobrir a manta.
  8. Proteção mecânica: contrapiso sobre a manta, para suportar o trânsito sem danificá-la.
Maçarico aquece o rolo de manta asfáltica que está sendo desenrolado e fundido à laje
Aplicação da manta. O maçarico aquece a face inferior do rolo, que é desenrolado e fundido à laje previamente imprimada com primer. As faixas vizinhas mostram a sobreposição soldada entre uma e outra.

Teste de estanqueidade: obrigatório por norma

A ABNT NBR 9574, que trata da execução de impermeabilização, exige o teste de estanqueidade antes da proteção mecânica. É a única forma de comprovar que a manta não tem nenhuma falha antes de ser coberta pelo contrapiso.

Como o teste é feito:

  • Os ralos são tampados e a área recebe uma lâmina d’água sobre toda a superfície impermeabilizada.
  • A água permanece por no mínimo 72 horas.
  • Durante esse período, o teto e as paredes abaixo — no caso, o subsolo — são inspecionados em busca de umidade ou gotejamento.
  • Se aparecer qualquer ponto de umidade, a falha é localizada, corrigida e o teste é refeito.
Área sob o pilotis coberta por lâmina d'água sobre a manta asfáltica, com os pilares refletidos
Teste de estanqueidade. A água permaneceu por 72 horas enquanto o teto do subsolo era inspecionado. Repare nos arremates da manta na base dos pilares, pontos críticos que precisam estar perfeitos antes do teste.

Pular o teste para ganhar alguns dias é um dos erros mais caros que existem. Uma falha descoberta depois do piso pronto obriga a quebrar tudo para encontrá-la.

Cuidados e erros comuns

A maioria das infiltrações em lajes impermeabilizadas vem de falhas de execução, não do material. Os erros mais frequentes são:

  • Aplicar sobre base úmida ou suja: a manta não adere e forma bolhas.
  • Base sem caimento: a água empoça sobre a manta e acelera o desgaste.
  • Emendas mal soldadas: sobreposição curta ou pouco aquecimento deixam caminhos para a água.
  • Rodapé baixo ou sem arremate: a água entra por trás da manta, pela parede.
  • Ralos e pilares sem reforço: são os pontos onde mais aparecem falhas.
  • Excesso de calor: queima a manta e compromete o reforço interno.
  • Tratar a infiltração sem tratar a estrutura: impermeabilizar sobre armaduras já corroídas não interrompe a corrosão que já começou.

Por isso a impermeabilização deve ter projeto, engenheiro responsável e ART, e ser executada por equipe treinada no uso do maçarico.

Proteção mecânica: contrapiso e piso cerâmico

Depois de aprovada no teste de estanqueidade, a manta asfáltica precisa ser protegida. Ela não foi feita para receber trânsito, sol direto ou impactos, e sem proteção se desgasta rapidamente.

No Condomínio Palácio, a proteção mecânica foi feita em duas etapas:

  1. Contrapiso sobre a manta: camada de argamassa executada com cuidado para não perfurar a impermeabilização, mantendo o caimento em direção aos ralos.
  2. Piso cerâmico: assentado sobre o contrapiso, com rejunte e rodapé, devolvendo à área o uso normal e o acabamento estético.
Área externa do condomínio com piso cerâmico novo assentado e rodapé junto ao muro
Obra concluída. Contrapiso executado sobre a manta e piso cerâmico assentado por cima, com rodapé junto aos muros e pilares. A impermeabilização fica totalmente coberta, protegida do trânsito, do sol e de impactos.

Perguntas frequentes

Quanto tempo dura uma impermeabilização com manta asfáltica? Com boa execução e proteção mecânica, é comum durar de 15 a 20 anos ou mais. A durabilidade depende da preparação da base e da qualidade dos arremates.

Dá para aplicar manta sobre a impermeabilização antiga? Em geral, não é recomendado. A manta antiga pode estar descolada e prender umidade. O correto é remover o sistema deteriorado e partir de uma base sã.

Manta a fogo ou manta autoadesiva? A manta a fogo tem melhor fusão com a base e com as emendas, e é a mais indicada para grandes áreas e locais com lâmina d’água. A autoadesiva é usada onde não se pode usar chama.

Quanto tempo leva a obra? Depende da área e do estado da base. Além da execução, é preciso considerar os 3 dias do teste de estanqueidade e a cura do contrapiso de proteção.

A infiltração pode causar problema estrutural? Sim. A água que chega às armaduras provoca corrosão, expansão do aço e desplacamento do concreto, como mostrou o caso do Condomínio Palácio.

Veja todas as etapas no acervo técnico

No acervo técnico está o registro completo da obra do Condomínio Palácio, com fotos de cada etapa: do diagnóstico e da recuperação das armaduras até a aplicação da manta e o teste de estanqueidade.

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